sexta-feira, 30 de abril de 2010

Grito




No calor do quarto numa tarde assim abafada
Na fresta de minha janela de madeira verde
E um dos vidros quebrados e empoeirados
Não consigo encontrar forças que me tirem
Desta inércia de sensações ruins e tristes

Murmúrio, lágrimas, suspiros... GRITO!


Veloz pensamento de sensações
Culpa
Rejeição
Abandono
Coisas que não consigo me perdoar
E que me tiraram assim "tão fácil" do coração das pessoas

Veloz pensamento de sensações
Se misturam às vezes
Esperança
Um novo dia
Uma nova vez de acertar
Mas aí ... sempre tem aquele "mas"...

Me pego no tormento de sempre
As mesmas coisas
Um não "vestido" de nunca mais
Que "me entendem" mas que não podem fazer nada

Saudade, falta, frieza...GRITO!

Não tem como não acionar o detonador do grito
Aquele que vem lá da mais profunda dor
E arrependimento dos desvios
Que concedemos à vida
E não temos mais como voltar

Nossas escolhas são às vezes um autêntico
"Cavalo de Tróia" na mente, desmanchando-se
E mostrando seu nocivo interior
Manifestado na impotência de nada poder fazer
Absolutamente nada pra mudar

E o tempo vai comendo aos poucos
As migalhas da alma que caem no chão
Levando contigo a cada dia lento e algoz
Teu sorriso
Tuas esperanças
Teu conforto
Tua paz

Ausência, amargura, mais saudade... GRITO!

Meticulosamente, todo o sofrimento
Vai esvaindo e endurecendo o coração
Adormecendo os olhos
Rasgando a carne lentamente
Não deixando nenhuma cicatriz
Pois o sofrimento hostiliza todo o teu abstrato

Pra ninguém ver nada mais por dentro
E junto com a lancinante dor
O mais veemente e "mudo",
Grito!

Um comentário:

  1. Sempre tiramos bons frutos da dor..So com ela evoluimos...belo poema.

    ResponderExcluir

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails