quarta-feira, 28 de abril de 2010

Solta ao Vento


Minha mão largava a carretilha soltando o libo aos poucos e a cada zunido da velocidade que o vento fazia deixava a pipa subir
cada vez mais alto.

Ela era colorida tinha uma rabeta de mesma forma que fiz em ajuda de alguém muito especial, a pessoa mais especial de toda a minha vida, "a minha semente", meu filho.

Cada rajada de vento que a fazia subir mais, ela dançava como uma valsa de "Tchaikovski". Ora cobrindo, ora mandando a luz do sol ao meu rosto. Mas ver o que fiz com as minhas mãos junto às pequenas de meu filho pairando na imensidão do azul do céu dividindo a sua beleza, era algo que jamais vou poder descrever. Mesmo esta sendo uma coisa tão simples numa tarde de domingo.

O vento, a tarde, eram tão singularmente perfeitos que em um certo momento não à manobrava mais, fitava apenas os olhos de meu filho, que olhando pra cima, brilhavam mais que a própria estrela amarelada de fim de tarde se pondo num espetáculo que, mesmo distante de nós, tanto quanto à pipa, unia cada vez mais meu filho junto à mim esperando o momento certo de segurá-la e fazê-la viajar na sua mão.

Nunca esquecrei aqueles grandes olhos de cílios idênticos aos meus, ligeira cor dos da mãe com aquela carretilha na mão, manobrando o libo com suas já nem tão pequenas mãos sentindo o poder de reger a direção de alguma coisa que pudesse ficar "presa" aos céus e apenas seguida do seu bel prazer e desejo.

Ela era enorme e pairou no céu por muito tempo, foi ao anoitecer, todos à viram até de muito longe, e ainda levava o nome dele: Lucas. Assim, solta ao vento, com um nome tão maravilhoso como a pipa que fizemos.

Mas ao puxá-la de volta pra gente trazendo a linha, foi como se puxássemos o sol para levá-lo pra casa e guardá-lo como uma relíquia hipnótica que nos deixou em silêncio apenas quebrado pelos zunidos do vento, nos "assoviando" por uma tarde inteira, juntos numa tarde de outono.

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