quarta-feira, 19 de maio de 2010

Verosimilhança



Todo mundo nessa vida, depois de alguns relacionamentos, guarda coisas boas como admiração, carinho, respeito por quem passa por ti um bom tempo. Mesmo que não se tenha mais contato, diferente disso, somente se o amor acaba em briga (o que é uma pena), pois se por um longo momento houve afinidade e até mais que isso, é triste acabar na guerra.

Tu arruma outros amores, abandona esperança da volta de outros e passa a viver só. Enfim, toca a vida e joga a bola pra frente. Aí um dia... recebe assim como uma granada sem o pino, uma "confissão" de uma pessoa do teu passado que não esperava (e não esperava mesmo) de que foste enganado por um bom tempo ... meses antes de ter tomado o pé na bunda. Tipo vida dupla, e tipo... pode ter sido mais que meses...

Ta aí uma coisa que não é pureza merda nenhuma, é questão de consciência limpa e não saber mentir ou guardar um segredo "obscuro" sem transparecer. Eu não teria como fazer isso, a culpa me toma por completo e não conseguiria "esconder" por muito tempo.

E como todo o ser normal, fica magoado, fica bravo, com vergonha e ainda é tratado como aqueles bonecos de escola de artilharia: vai o tiro e ele cai ... "some" no chão. E não pára por aí, passa por maluco, exagerado, te bloqueiam, eliminam de listas eletrôncas, filtros, etc... por estar magoado... o inimigo passa a ser você, o erro é seu, a culpa é sua e a coisa é tão assim, forte que acho que até vou ligar pra pedir desculpa... aham...

Não tem como não mergulhar na literatura e lembrar coisas... Machado de Assis e sua Capitú com seus "olhos de ressaca" (e o mistério até hoje se ela foi ou não uma vagabunda e fez o filho com o melhor amigo de Bentinho, o Escobar) fala muito bem dessa artimanha feminina... (bah as mulheres vão me matar agora... mas... já foi)

Mas tem o outro lado também (calma meninas!) Nelson Rodrigues (meu preferido) em um de seus contos/roteiros fala de um ordinário que vivia vida dupla e quando a mulher de fato descobriu a amante, fazia o desgraçado comer mais ainda... sendo que ele acabara de jantar na casa da amante... o cara quase morria... bem feito!

Nelson foi uma figura que subia no palco com uma arma na mão e gritava pra platéia hipócrita: "-Vocês são burros!"... Eles não gostavam da atutitde verdadeiramente corrosiva que sempre foi marca Rodriguiana. Suas obras possuem um valor incalculável no tocante à safadeza, hipocrisia e pilantragem das pessoas. Ele dava literalmente um soco no estômago, assim como tomei, fazendo as pessoas caírem de joelhos com a coisa mais crua da vida: a traição.

Ler Nelson Rodrigues por muito tempo (apesar de bom) faz qualquer pessoa duvidar até da sua mãe. Por isso "A Vida Como Ela È" é um dos mais preciosos presentes que ele nos deixou.

Isso vai de cada um, mas depois de uma revelação cruel como a que foi pra mim, tu passa a ficar cada vez mais ácido com as coisas, e duro por dentro. E o mais incrível de tudo isso, é que minha história comparada à liberdade criativa de Nelson Rodrigues que sempre foi pulsante, raivoso, lancinante e corrosivo, trás toda a verosimilhança da obra dele com a minha vida e a de tantos outros, que um dia já tiveram uma pessoa que deram valor e tinham respeito, carinho e segurança... mas um dia como hoje descobrem que somente foram mais uma vítima do sarcasmo deste estúpido e hipócrita sentimento que raramente se vê com completa cumplicidade: amor.


3 comentários:

  1. É...
    Realmente acho
    Desnecessário revelar
    Coisas que já passaram
    Mas se depois de muito
    Tempo elas não conseguem
    Guardar um segredo que
    No meu pensar não deveria
    Existir
    Sinceramente que se fodam
    Acho que ficaria muito chateada e cm toda
    a razão ,se quiser me bloquear,deletar,excluir ou sei La o que (♪toh nem ai♪)
    Garanto que se fosse ao contrario
    Não me perdoariam...

    ResponderExcluir
  2. bah essa "estória" do Nelson r. é clássica, #rimuito esses dias lembrando dessa cena, mas tentando calcular qntos ja passaram esse aperto...imagina...seria cómico senão trágico, afinal o cara se mata no final tamanha a agrura de viver "duplamente"...essa ironia do autor é justamente pra ver cm às vezs quem tem duas (dois) voando pode ficar sem nenhum (a) na mão...literalmente...sem trocadilhos...rsrsrs

    ResponderExcluir
  3. mas não desiste do amor nunca, não...senão não era amor..bjs

    ResponderExcluir

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails