segunda-feira, 7 de junho de 2010

Corpus Christi


Hoje na cidade em que estou, muitos estão de luto. Uma família vindo de carro do Uruguai neste feriadão, se desmanchou numa estrada antes da fronteira com o Brasil. Pai na UTI, mãe operada de várias fraturas e filhos sendo sepultados (menina na flor da idade dos seus 13 anos, e rapaz de seus 20 anos e vai bolinhas...)

Com isso, reparo que mesmo não tão longe de Porto Alegre, ainda existe amizade, conceito de "família", pois a cidade chora junto a morte e a fatalidade dos seus filhos como se chorassem pelos seus.

Tirando a desgraça em si, é bom saber (e tirar de coisas horríveis como esta) que o sentimento de solidariedade, fraternidade e co-mu-ni-da-de ainda são fortes e dão seu conforto, que é a única coisa que se pode fazer.

Hoje todos vivem suas vidas correndo e na mesma velocidade lêem o jornal, passando por desgraças como o terrível feriadão no trânsito sem se tocar mais da banalidade que virou ver morte por todos os lados (quanto mais ainda em parar pra rever conceitos e mudanças na nossa rotina).

Somos "bestas aceleradas", "máquinas de produzir morte", e enquanto poderíamos usufruir toda uma vida e as belezas que os olhos podem ver, não paramos pra olhar pro lado. E neste exato momento que escrevo e que tu lê esta frase, talvez outra família se exploda numa BR e achamos isso normal. Não deglutimos mais a numerosa e excessiva carga de informação, notícias e tampouco tiramos dela o aviso... o prenúncio dos perigos que gritam no ouvido.

Somos nosso próprio Deus pela metade, pois não nos damos à vida... mas arrancamos ela do corpo deixando ele jogado ao lado ... logo ali, no capim... deixa lá, o IML junta.


Um comentário:

  1. é meu amigo, só paramos "da vida" às vezs em frente ao tumulo aberto de um querido..e aí temos esse "insight" na pior das horas...bjs e te cuida.

    P.S.: ia gostar de ver tua verborragia (é um elogio, tá?) no twiiter..pensa..

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