quarta-feira, 28 de julho de 2010

ausência...

Há algum tempo tenho uma visitante que não vai embora.

Ela se faz presente e alimenta-se exatamente com a ausência. Não, não estou enlouquecendo, posso estar perto de perder a sanidade, mas ainda estou com discernimento do que escrevo.

Se pudesse empurrava ela pra fora do meu quarto, da minha casa, da minha vida... mas ela é escorregadia, leve e seu peso mais contundente está preso dentro da minha alma.

Ela movimenta-se devagar, como um réptil sorrateiro, envolto de espinhos, e não tem rosto. Não posso dizer o quanto é horrível ou perversamente linda mas com certeza deve ser hipnótica sua expressão, pois se pudesse mirá-la, acredito que meus olhos tristes paralizariam na sua face pensando como um tormento de apatia, pôde ser criado sobre um sentimento muito maior e infinitamente generoso, que é o amor.

Mesmo não tendo olhos, ela acompanha meus movimentos com extrema precisão e compassadamente agulham meu peito com a mesma intensidade das batidas do meu coração combalido.

Ela muitas vezes traz companhia, e juntas, fazem minhas noites ficarem maiores... intermináveis, pela culpa, remorso, ou vontade de voltar no tempo pra nunca largar a mão de quem muito se aninhou no meu peito e se escondia do frio como uma criança de beleza inigualável e doçura de um anjo.

Este torpor, poderia ser comparado quase como uma doença... uma lepra. Ela bem perto, jogando o ar frio de sua presença no meu rosto, me lembram que faltam partes do corpo. E bandida, ataca sempre lugares abstratos, mas de dores muito concretas.

Eu ainda gostaria de descobrir, como ela tem a astúcia de chegar como um lembrete doloroso, ocupando o lugar de alguém que não vem mais. Ou se voltar, não saber da tortura que o tempo e esta visita fará com tua mente até este momento acontecer.

Profunda, triste, malévola.
Contínua, dolorosa e cortante.
A única coisa, que posso dizer que sei dela, é seu nome... saudade.

3 comentários:

  1. Um texto que faz refletir ,pior que hoje estou bem sensível e sei muito bem o que a saudade faz em nossa vida.

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  2. no meio já sabia que esse "alguém" se chamava 'saudade'... te conheço!

    mas acredite: mesmo que demore a passar, essa parceria não é perpétua, seguindo a Lei de Newton - como escrevi no mula esses dias e tu mesmo "criticou", não entendendo que me referia a um novo alguém que surge no lugar do outro.

    quando essa pessoa chegar (e virá!), a cia será outra - BEM mais agradável. só um novo amor cura um coração partido, c'est la vie... en rose! (aliás, começo de relacionamento é tudo azul hehehehe - por sinal, outro post meu no blog ;) leia, comente! beijo

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  3. saudade o nome ja diz...

    Sorte a minha nao lembrar dela

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