sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Expresso de Gelo

Essa história de viagens às vezes rendem lembranças que mais parecem traumas do que qualquer outra coisa. Na última sexta-feira, tive de me apresentar pra dar suporte à outra unidade, pois minha função na estrada desde maio, é exatamente isso.

Às seis da matina, cravada em meu relógio, estava eu na rodoviária de ventos uivantes distante da meu Portinho e contribuindo pra geada com os bafos da minha respiração, aguardando ansiosamente o meu transporte quentinho e agradável até a cidade de destino em dorminhocas 3 horas... mas não ia ser tão fácil assim.

Estar na estrada na minha função, há hipóteses de verdadeiros "sustos" e isso tem de estar calculado... na hora é uma merda, mas depois vira risada, experiência e conhecimento. Meu buzão chegou e subindo cá estou na "carcaça" que encostou ... começa o desespero.

Sabe aqueles ônibus que geralmente as cidades (no caso Porto Alegre) dispensa nas trocas de frota? É estes mesmos... coloca ae um aspecto mais turístico, com bancos mais fofos, e eis a lata que me leva.

Como o ônibus estava vazio (sim... quem irira querer estar num "expresso" daqueles naquela altura da manhã) sentei-me comportadamente ao fundo da coisa que anda. Numa ida de três horas, e com frio... geralmente mijo pra cacete, mas não me pergunte porque, sou assim, quando estou com frio faço mais xixi, o que seria uma coisa um pouco difícil, o ônibus não tinha banheiro.

Naquela estrada chacoalhando vinha um vento definitivamente muuuito filho da puta, que não havia jeito de descobrir de onde... naquela altura de 30 minutos, já estava com as pernas congeladas e mesmo com as mãos coladas no bolso, parecia que tinha levantado pelado e saído pra dar uma volta balançando meus "apetrechos" naturais.

Uma hora e meia de viagem: nem a toca que usava resolvia, minha língua já estava azul como a daquele cachorro de "grife importada", na verdade acredito que se morresse ali meu corpo jamais iria se decompor, tamanha a sensação de temperatura negativa, me sentia um verdadeiro costelão de boi, num frigorífico que andava e o açougueiro, na direção, fazia curvas que doíam a beira da alma.

Claro que descobri que o vento vinha das frestas das janelas, mas eu fechava uma, abria três com as chacoalhadas!! Chegando numa das 223 paradas (sim... tu achava que ainda seria direto? Ó-be-veo que não), pedi pra ir dar uma descarregada no bexigão e nunca em minha vida me senti tão bem num banheiro de rodoviária... por mim estendia um colchonete e dormia ali mesmo.

Chegada ao fim da viagem, desço com o solzinho dando o ar da graça, e eu dando todos os graças a Deus, por sair da pior experiência de criogenia já submetida um pobre e velho corpo como o meu. Estou pensando em exigir adicional de periculosidade, e aumentar meu pecúlio do seguro de vida.

Um comentário:

  1. Com o perdão da palavra ,mas tu é foda!!

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