domingo, 12 de setembro de 2010

desdita

Quem achar que este texto é uma tem uma intenção de ser uma ode à ter pena de mim ou um ato de comiseração que vá pro inferno, e lá chegando, lamente por não ter inteligência de entender um texto triste. Apenas é um desabafo de mais uma fase, ou vida quase inteira de frustrações que cansam a alma e que me deixa cada vez mais expectador da vida.

Sempre tentei ser o mais correto possível, e dentro de todos os defeitos que carrego, misturei com os valores que adquiri, e misturando... tentei ser uma pessoa que ganhasse o apego, admiração e carinho das pessoas.

Mas como todo bom e velho defeituoso ser humano, queremos sempre mais... queremos viver milhões de coisas... queremos viver grandes amores, grandes histórias, e inevitavelmente caímos na dura realidade de vivermos apenas da própria vida. E dentro desta experiência, aprendemos que certas pessoas exercem um sentimento tão forte dentro da gente que chegam a doer o coração. Já chorei muito por amores que não deram certo, e de certa forma, às vezes penso que não só dos erros que cometi, mas dos que cometeram comigo, vou acabar sozinho.

Eu tenho um coração muito mole, sempre aprendi a perdoar e ser extremamente carinhoso aos meus, que em troca me deram também carinho, amor e tudo o que vem junto no "kit". Mas de um tempo pra cá não posso deixar de reconhecer que ando rude e que meu coração endureceu. Estou de mal com a vida.

A sensação que tenho, é de que a vida descobre que as pessoas que não te perdoam e que se afastam de ti, te expurgando da vida delas, além de sangrar mais ainda tua carne alimentam uma sádica dança de devassidão que todos os dias a maldita vida insiste em bailar com languidos passos debochados na tua frente, pra assim te lembrar todos os dias, que teus erros, culpas e remorsos vão te acompanhar pro resto dos teus dias.

E estes teus dias vão se esvaindo na mais alucinante loucura de tristeza que não tem conforto pra nenhum lado sequer que tu olhe. Parece que se tu sumisse do mundo, ou fosse fazer uma viagem pra nunca mais voltar... tu jamais fosse fazer falta pra alguém.

Assim como quando tu volta, nunca terá ninguém te esperando, dizendo que morreu de saudade, com uma xícara de café na mão ou abrindo aquele vinho que tu tanto gosta pra tomarem juntos, assistindo um filme agarrados num abraço que é um dos remédios que mais me fazem falta hoje... o abraço, o afago, o cheiro gostoso de quem tu sente tanto amor e tanta saudade, e que na verdade quer tua mais completa e inexorável distância e emudecimento.

Maldita hora que fui deixar este sentimento desgraçado tomar conta de mim, e não adianta defensores levantar bandeiras e frases prontas bonitinhas, pregadores levantar a fé... Se Deus existe, está muito preocupado se divertindo com a fome na Somália, as mortes sangrentas do mundo ou escrevendo páginas e mais páginas do sofrimento alheio.

Se estes sentimentos fossem mesmo tão belos... não deveriam açoitar de maneira tão algóz as almas que clamaram pelo perdão, por uma nova chance, pra não perder a companhia que realmente amaram. E não estou falando de que a felicidade só vem de outrém... eu sei que se ela fosse algo que existisse... viria de dentro da própria pessoa.

Mas como isso tudo é vida... por que acreditar que vai ser diferente? Então, faça o par e dance junto esta valsa de puro deboche das desgraças da infelicidade alheia. Só não esqueça o nariz de palhaço.

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