terça-feira, 7 de setembro de 2010

O que importa?


"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida".

É com essa potência de palavra que não deixa nem poeira voando da única e letal Clarice Lispector, que começo falando de uma coisa que nunca vou entender por completo: a saudade.

Esta palavra em alguns idiomas nem tradução teria, e poderíamos parar por aí mas antes quero ir um pouco mais longe.

Somos parte do imperfeito que vive da saudade... se é algo que temos, é a saudade de quando não tínhamos; se não temos é o inverso que vira a regra... acredito que vivemos pra nostalgia ou abertura de sempre ter como inacabado o vão onde contrói-se a si mesmo.

As agruras do peito ofegante me fiezeram o homem que sou, muito mais pela saudade que trouxe comigo dos amores da minha vida, do que pela realização momentânea de ter comigo a contemplação do conquistado.

Só senti no rosto o frio da ventania dos prórpios sentimentos, quando subi a montanha de mim... levando comigo toda a saudade que tive na vida. Foi sangrando que vi do que fui feito, e assim concretei minha estrutura.

Talvez me perguntem um dia, se viver assim foi enriquecedor pra mim.

Que diferença faz?

Pra ter um vencedor, alguém tinha de ter perdido...




Um comentário:

  1. isso é q é a essencia de que somos feitos, acho maravilhoso o jeito de subliamres com palavras teus sentimentos, veja, senao houvesse reveses, donde sairiam essas tuas palavras?

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