sexta-feira, 15 de abril de 2011

...até logo



Pode ter sido o dia mais importante, mais fascinante pra ele, talvez pra mim quem sabe. Era uma liberdade ao mundo, um abrir de janelas e lá se vai o filhote num bater de asas. Uma coisa eu aprendi antes de ser pai: filho é do mundo. Mesmo assim, levar o meu guri, pro aeroporto pra ir morar com a mãe me deixando dois continentes e todo um Atlântico no meio, é uma experiência que não quero repetir.
Acho que algumas coisas na vida, todos teriam que passar, e nas minhas experiências adquiridas, a despedida é uma das coisas que eu não consigo aprender a lidar... e você vai falar: "-Que isso! Tem msn, skype, uma infinidade de meios pra encurtar a distância"... quando tu tiver um filho e ter a mesma incumbência que a minha talvez tu entenda o que quero dizer.
Apesar da viagem ser uma alucinação, ele também tava lá meio estranho a gente sabe quando vê, e eu no meu papel verdadeiro de engasgado, se tropeçasse em qualquer coisa já cairia chorando. Conversamos, brincamos, tomamos um lanche, algumas fotos e é chegada a hora de cruzar a porta do embarque internacional. Peguei no rosto dele e procurei falar algo rápido, pra conseguir terminar sem chorar e nos despedimos.
Hoje compreendo o porque demorei tanto pra escrever sobre isto: continuo me engasgando. Naquele momento, larguei aquela cara réplica da minha, e vi suas costas se afastando de mim, e os cabelos espessos, compridos, indo de cabeça baixa, feliz e angustiado ao mesmo tempo. Quando foi cruzar a porta parou, olhou pra tráz, e de cabeça baixa veio como um touro arredio com passos rápidos se atirando no meu colo soluçando, e eu no mesmo abraço desmoronei na mesma hora. Tanto ensaio pra nada!
Ele é a criatura que eu mais amo no mundo, é a minha verdadeira loucura. Assim como à mim... louco, sem freios, insatisfeito, mas é inteligente, lindo e merece tudo o que o mundo agora tem pra oferecer à ele. Separar, ...se afastar, também faz parte do "crescer". O gosto salgado da lágrima ensina que não só de doce se vive a vida. Eu já sabia disso, ele provou e não vai esquecer tão cedo.
Agora, tentando pela enésima vez terminar o texto com os olhos vermelhos, percebo que parte de mim está do outro lado do mundo, olhando quem sabe neste exato momento, a mesma lua que vejo daqui. E a saudade, sempre perto, aproveita meu descuido enquanto olho pro céu e vasculha meus manuscritos e pensamentos, me lembrando que nunca fica longe... e quando vai embora nem se despede mais de mim, apenas diz: "até logo..."

Um comentário:

  1. Ai, Sil, quanta emoção nas tuas palavras! As lágrimas me escapam dos olhos e descem rosto abaixo, enquanto penso em toda a tua angústia sabendo que a ida para o Aeroporto ao lado do teu filhinho seria rápida demais em comparação ao tempo que viria ao saíres de lá. O tempo passa e daqui a pouco ele está de volta trazendo na bagagem uma experiência de vida bárbara que sempre vai agradecer a ti e à mãe.
    Coragem, querido! Admirável o teu texto. BJS

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